sábado, 10 de dezembro de 2011

A desumanidade do ser humano



Uma chuvinha branda caindo lá fora e aqui dentro de casa, Pedro Nicholas despeja seus brinquedos por toda parte. Neste sábado que se inicia preguiçoso e lento, ao ver o meu filho brincando feliz, é impossível não me revoltar com a notícia acima, divulgada esta semana.
Porque neste momento, em algum lugar do mundo, crianças indefesas e vítimas de verdadeiros monstros não têm a mesma sorte do meu filho. Por motivos fúteis, são maltratadas, abandonadas, agredidas, violentadas e sofrem o desvario desumano de adultos desprovidos de qualquer sentimento.

Este caso dos gêmeos é apenas um exemplo, dentre inúmeros outros casos absurdos. Duas crianças, de 1 ano e 5 meses, pouco menores que o meu filho, atiradas por uma louca (????) que por desgraça as gerou. É muito chocante assistir a esses acontecimentos. Pior ainda é a sensação de impotência diante de tamanha atrocidade. Porque quem é mãe de verdade sabe o quanto dói ver um filho em qualquer situação de perigo.

Esta semana mesmo passei por isso. Em um segundo de descuido, Pedro Nicholas sofreu um pequeno corte na testa. Foi horrível, porque o ferimento sangrava, meu filho chorava e eu não podia me desesperar, embora todo o meu corpo estivesse tremendo. Enquanto nós o socorríamos, sobrepunha-se uma avalanche de sentimentos: culpa por tê-lo deixado se ferir, uma vontade enorme de protegê-lo, desespero por não poder evitar sua dor...

Nessas horas, é dolorido ser mãe, porque sei que outros acidentes ocorrerão e ele irá se machucar muitas vezes ainda, física e emocionalmente. Mas mesmo assim, penso ser impossível não se abalar com o sofrimento de um filho. 

Felizmente, o corte foi apenas superficial e minutos depois lá estava ele, prontinho para outra, correndo pela casa. E eu, ainda trêmula, avaliava o que poderia ser feito para evitar novo acidente.

Então me pergunto: como pode alguém ser capaz de atentar contra a vida do próprio filho? Se um único e pequeno corte pôde me levar ao desespero da culpa, como suportar a dor de provocar a morte de uma criança? Sinceramente, não compreendo o ser humano, se é que essas criaturas podem ser chamadas assim. Aliás, nem mesmo um animal é capaz  de violência tão atroz.

Como consolar as crianças que sobrevivem a esse tipo de desumanidade? O que dizer a elas? Que futuro terão?

A vida desses seres inocentes ficará marcada para sempre porque foram desprezados e agredidos por aqueles que têm obrigação de protegê-los e evitar seu sofrimento.

Sei que não posso blindar meu filho contra a violência da vida, mas nunca serei capaz de provocar nele qualquer tipo de agonia.

As notícias são estarrecedoras e ao lê-las, sinto a mesma dor que senti ao ver meu filho se machucar. Porque a dor de uma mãe verdadeira é infinita, tanto quanto seu amor deveria ser.