segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Dia difícil

Acabo de me lembrar de um personagem de desenho animado que eu assisti muito na minha infância. Era uma hiena, cujo nome não recordo, que ficava o tempo todo repetindo, com uma voz angustiante de choro: “Ó dia, ó vida, ó azar”... e nada dava certo para ela. Era a personificação (ou seria, “animalização”?) do pessimismo derrotista.
Pois bem. Jacqueline de Oliveira Sudário não é assim. Pelo menos tenho me esforçado muito para não ser. Não sou como a Pollyanna, de Eleanor H. Porter, inabalável em seu otimismo contente, sempre enxergando o lado bom das coisas.  Porém procuro pensar positivamente, acreditando que tudo dará certo, sem dramatizar demais meus problemas.
Só que hoje, convenhamos, estou muito mais para a hiena reclamona. Porque tive uma péssima notícia, algo para o qual eu não estava preparada, que vai abalar minha já frágil estrutura econômico-financeira. Logo agora que eu começava a sair do “subterrâneo do fundo do poço” - ouvi esta expressão recentemente e achei o máximo - vem um tsunami e inunda meu otimismo.


Como não adianta ficar me lamentando e amargando meu azar, só me resta seguir em frente e administrar os danos causados.
Entretanto, este não foi o único fato desagradável ocorrido neste dia difícil. Logo de manhã presenciei uma cena lamentável, que afetou meu humor de forma muito negativa. O grotesco desrespeito e falta de consideração com uma profissional que trabalha na empresa há mais de 30 anos.
Impressiona-me como o mundo corporativo é cruel. Sim, eu sei que vivemos numa sociedade capitalista, que as mudanças acontecem de forma vertiginosa, temos que estar preparados e nos adaptar a isso, etc. Mas onde estão escondidos os valores morais que deveriam permear as relações humanas?
Embora o mundo esteja evoluindo, pelo que pude perceber com o fato em questão, é que a lei do mais forte sobre o mais fraco ainda prevalece em todos os lugares. Sim, porque a decisão cabe sempre a quem está no poder naquele momento específico. Pouco importam a lógica, a coerência e as dificuldades para se executar a ordem dada.
A cada mudança de comando, temos que executar a dança das cadeiras, mesmo resultando na decepção daqueles que dedicam sua vida a desenvolver um trabalho decente. Hoje me deparei com alguém defendendo seu trabalho, usando para isso as únicas armas que possui: brados de indignação e lágrimas de decepção. Esta pessoa se recusa a aceitar o velho ditado de que “manda quem pode, obedece quem tem juízo.”

Neste caso, torço por um breve final feliz e que vença o bom senso.