Acabo de me lembrar de um personagem de desenho animado que eu assisti muito na minha infância. Era uma hiena, cujo nome não recordo, que ficava o tempo todo repetindo, com uma voz angustiante de choro: “Ó dia, ó vida, ó azar”... e nada dava certo para ela. Era a personificação (ou seria, “animalização”?) do pessimismo derrotista.
Pois bem. Jacqueline de Oliveira Sudário não é assim. Pelo menos tenho me esforçado muito para não ser. Não sou como a Pollyanna, de Eleanor H. Porter, inabalável em seu otimismo contente, sempre enxergando o lado bom das coisas. Porém procuro pensar positivamente, acreditando que tudo dará certo, sem dramatizar demais meus problemas.
Só que hoje, convenhamos, estou muito mais para a hiena reclamona. Porque tive uma péssima notícia, algo para o qual eu não estava preparada, que vai abalar minha já frágil estrutura econômico-financeira. Logo agora que eu começava a sair do “subterrâneo do fundo do poço” - ouvi esta expressão recentemente e achei o máximo - vem um tsunami e inunda meu otimismo.
Como não adianta ficar me lamentando e amargando meu azar, só me resta seguir em frente e administrar os danos causados.
Entretanto, este não foi o único fato desagradável ocorrido neste dia difícil. Logo de manhã presenciei uma cena lamentável, que afetou meu humor de forma muito negativa. O grotesco desrespeito e falta de consideração com uma profissional que trabalha na empresa há mais de 30 anos.
Impressiona-me como o mundo corporativo é cruel. Sim, eu sei que vivemos numa sociedade capitalista, que as mudanças acontecem de forma vertiginosa, temos que estar preparados e nos adaptar a isso, etc. Mas onde estão escondidos os valores morais que deveriam permear as relações humanas?
Embora o mundo esteja evoluindo, pelo que pude perceber com o fato em questão, é que a lei do mais forte sobre o mais fraco ainda prevalece em todos os lugares. Sim, porque a decisão cabe sempre a quem está no poder naquele momento específico. Pouco importam a lógica, a coerência e as dificuldades para se executar a ordem dada.
A cada mudança de comando, temos que executar a dança das cadeiras, mesmo resultando na decepção daqueles que dedicam sua vida a desenvolver um trabalho decente. Hoje me deparei com alguém defendendo seu trabalho, usando para isso as únicas armas que possui: brados de indignação e lágrimas de decepção. Esta pessoa se recusa a aceitar o velho ditado de que “manda quem pode, obedece quem tem juízo.”



