Viver e não ter a vergonha de ser feliz... (Gonzaguinha)
Às vezes sinto uma certa vergonha de ser feliz. Já mencionei aqui os meus momentos de culpa quando comparo minha vida à realidade da minha família. Quisera eu ter o poder de solucionar todos os problemas, saldar todas as dívidas, realizar todos os sonhos.
Hoje, mais uma vez, senti a culpa invadindo meu coração. Nessas horas eu gostaria de não ter absolutamente nada, de viver na mais completa miséria. É como se a vida cometesse uma grande injustiça por minha causa. Mas será que isso é justo?
No final da tarde, quando vinha para casa, eu refletia sobre um assunto do qual gostaria de escrever aqui. Queria falar da minha sorte, porque quando tudo parece perdido algo bom acontece na minha vida. Uma boa notícia ou um acontecimento capaz de resolver aquilo que me tira o sono.
Posso me considerar uma pessoa de sorte. Não aquela sorte de quem acerta os números da mega sena acumulada, mas a sorte de quem consegue superar pequenos problemas cotidianos sem grande ou prolongado sofrimento.
Costumo dizer a pessoas íntimas que tenho uma ligação direta com o Todo Poderoso e que ele certamente gosta muito desta criatura aqui. Talvez esta ajuda divina se deva ao fato de eu não dar um pingo de sossego ao Papai do Céu - outro apelido carinhoso atribuído àquele que jamais me abandona - porque eu realmente invoco essa presença maior em cada segundo do meu dia.
Sei que parece loucura, principalmente para quem não acredita nesta "força estranha", a qual não podemos ver com os olhos, mas que podemos sentir com o coração. Mas deixemos de filosofia e retomemos o foco (meu marido sempre diz que não tenho foco quando conto alguma coisa)... então, com toda convicção, atribuo minha "sorte" a essa relação com o ser superior, pois sei que Ele conhece minhas dores e está sempre olhando por mim.
Como pobre mortal, às vezes também me descabelo com os pequenos problemas, dramatizo, fico impaciente, faço tempestade em copo d´água, me sinto injustiçada, desorientada, infeliz. De repente, paro para pensar e percebo que não tenho problema algum. Por que reclamar da vida quando se tem tudo de que precisa?
Sim, eu tenho saúde de sobra, um trabalho do qual retiro meu sustento, uma família linda, um filho saudável e inteligente. Então, por que reclamar? Tudo isso é motivo mais do que suficiente para celebrar e agradecer ao Papai do Céu toda hora.
Apesar de tudo, agora, enquanto assisto a Gal Costa cantando Baby no Programa do Jô, sinto meu coração apertado por não poder evitar a tristeza e frustração de pessoas amadas a quem desejo a mesma felicidade e "sorte" presentes na minha vida.
"Senhor, concedei-me a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que posso e sabedoria para distinguir uma das outras." (Oração da Serenidade)

