É interessante refletir sobre como pessoas entram e saem de nossas vidas. Viver é, antes de tudo, conviver com o outro. Não conseguimos viver sozinhos, isolados de tudo e todos. Seja na escola, no trabalho, na igreja, na “balada”... estamos sempre interagindo com outras pessoas, trocando confidências, carinho e afeto ou competindo, agredindo, irritando, ignorando. Desde que o homem se encontrou como ser racional, a vida em sociedade - com o outro - é uma constante.
Hoje me deu vontade de falar sobre amizade. Na verdade, quero expressar um pouco minha frustração. Acontece que é aniversário de um companheiro de trabalho e - por que não? - amigo, que venho tentando cativar a algum tempo. Como gosto muito dele e espero que a recíproca seja verdadeira, comecei a pensar sobre pessoas outrora presentes na minha vida e que agora não passam de lembranças.
Nunca fui, nem de longe, como a minha irmã, que conquista amigos de infância no ponto de ônibus. Muitas vezes fui taxada pelas outras pessoas como metida a besta, arrogante, etc. Desde a infância foi assim: o povo me detestava, em primeira instância; mas com a convivência diária acabavam se rendendo aos meus encantos (rsrsrs) e confessavam, arrependidos, a impressão inicial. No fim acabavam virando amigos, de certa forma.
É difícil enumerar todas as pessoas com as quais convivi de maneira mais intensa... foram bons momentos, no colégio, no trabalho, na faculdade... Sobre o período de faculdade senti algumas mágoas por “amigos” com os quais me apeguei profundamente, mas simplesmente partiram sem dizer adeus. Dramático, não? Mas é verdade. Sofri horrores quando duas pessoas muito queridas se afastaram por eu ter iniciado um namoro (felizmente, não desisti do namorado por causa deles) e também porque deixei a faculdade que cursávamos juntos na época. Talvez tenha sido minha culpa; talvez eu não tenha me esforçado como deveria para mantê-los por perto. Hoje consigo reconhecer minha displicência, mas na época me senti completamente abandonada. Agora, superado o trauma, ficaram poucas lembranças felizes e a total perda de convivência, apesar de morarmos na mesma cidade, Uberaba, com menos de 400 mil habitantes.
Tempos depois, outra partida: Leon Fagner Feitosa.
Faço questão de citar o nome, porque durante um tempo fomos praticamente unha e cutícula. Trabalhávamos juntos e eu passava mais tempo com ele do que com meu marido. Nas horas de folga, sempre nos encontrávamos. Neste período, fomos a família mineira dele. Um belo dia, ele foi desligado da empresa; foi um chororô dos infernos, uma tristeza enorme pela partida. Ele foi embora de Uberaba, mas ainda nos falávamos de vez em quando pelo MSN e por e-mail. Mas esses encontros foram ficando cada vez mais raros. Cada um foi cuidar da sua vida; nossos caminhos tomaram rumos diferentes. E hoje, as notícias que tenho são através dos seus inúmeros posts no Facebook. O distanciamento foi tão grande que eu não tenho coragem de mandar um e-mail particular, pedindo notícias. Aliás, fiz isso uma vez, mas estranhei um pouco a frieza de suas palavras no e-mail de resposta. E concluí que deveria me afastar, porque ele já se encontrava em outro universo, com outros melhores amigos.
Fico me perguntando se o problema sou eu, pois sempre vejo pessoas relatando suas experiências com amigos de infância, cuja convivência o tempo e a distância não atrapalham; ao contrário, quanto mais tempo, melhor a amizade. Creio que preciso fazer uma revisão geral no meu “cativômetro” para aumentar meu desempenho em “cativação” das pessoas.
Às vezes penso em reatar antigos laços, tentar uma aproximação, sei lá. Mas, ao mesmo tempo penso que a amizade é uma via de mão dupla e certamente minha presença não é tão importante assim. Do contrário, também eles buscariam uma reaproximação.
Tenho atualmente pessoas muito importantes e especiais compartilhando meus momentos. A esses pretendo me dedicar mais, cultivando os bons sentimentos e buscando a permanência deles em minha vida. Não os deixarei se esquecer de mim, arranjarei tempo para ligar, nem que seja apenas para falar um “oi, tudo bem?”. Assim eles saberão que estou aqui, sempre presente.
Também desejo a todo instante que meu filho seja um colecionador de verdadeiros e bons amigos. Quero incentivá-lo nesta tarefa, afinal somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Desejo que ele herde essa habilidade de minha irmã, que em nenhum momento desiste de seus amigos, mesmo sendo muitas vezes abandonada por eles.
E a todos os amigos que passaram por minha vida, dedico minhas lembranças saudosas, com um sincero agradecimento por terem feito parte da minha história.


